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Música de chuva

Existem prazeres que são só seus, que só você acha graça. Em dias de  chuva e frio aos finais de semana, com aquele céu cinza e mil desculpas para não sair de casa, adoro pegar um livro de fotografias e colocar um disco de jazz. Normalmente não teria vontade de ficar folheando um livro de fotografias, nem desejo de puxar um disco de jazz para ouvir do começo ao fim durante a semana.  As  buzinas, o celular e as interrupções inevitáveis para quem tem muitos filhos iriam cortar o meu barato.

Mas, a chuva, o frio e os finais  de semana às vezes conspiram a meu favor. Nessas horas calmas eu misturo Chet Baker com J.R. Duran, Miles Davis com Vik Muniz, Thelonious Monk  com Sebastião Salgado, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong  com Annie Lelbovitz e por aí vai. Olhos e ouvidos aguçados, paz no coração.

Um dia alguém me perguntou que estilo de música era aquela, segurando um CD que eu insisto em colecionar.  Eu respondi: é música de chuva.

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