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Anjos

De todos os simbolismos religiosos o que  sempre mais gostei foram os anjos. Principalmente depois da humanização promovida por Wim Wenders no filme Asas do Desejo. O anjo da guarda , invocado por mães aflitas nos momentos mais críticos, também é uma imagem extremamente reconfortante. As asas fincadas nas costas permitem que o corpo suba, voe e veja todos os problemas e desigualdades com uma visão menos rasteira, mas com olho de Deus. São drones celestiais.

Do outro lado da ponta, um  anjo bem menos envolvente é o diabo. Nos embates do dia a dia, na nossa vida profissional, familiar e amorosa esses dois anjos estão sempre ali, um de cada lado do seu ombro, soprando no seu ouvido. O anjo bom, te sussurrando para fazer o bem, o anjo mal te impelindo a fazer coisas ruins. Todo mundo tem um anjo e um diabo buzinando baixinho  nos seus ouvidos, por mais que a gente tente  disfarçar. E você ali, bem no meio, como se estivesse acompanhando a final de tênis de Wimbledon, olhando de um lado para o outro, sem saber que decisão tomar.

Procuro ver anjos ao lado de pessoas distribuindo comida para todos esses trabalhadores informais que ficaram sem nada nessa pandemia , ao lado de crianças fazendo piruetas na beira de escadas, ao lado de idosos atravessando a rua enquanto algum ás do volante tenta cortar pela faixa de ônibus. E procuro fugir de gente com o diabo no corpo…xispa!

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