Existe uma teoria que insinua que , caso fôssemos imortais, não acreditaríamos nas religiões, nos santos, nos deuses espalhados pelo mundo. O que nos prende à fé é a dúvida,é a esperança.É a crença sobre o que virá depois, depois da morte, quando nossos olhos se cerrarem.
Como cristãos, é a fé, algo intangível, que nos prende à religião, à Bíblia, aos mandamentos divinos, a Cristo, a Deus. Mesmo os ateus, à hora da morte, costumam ter gestos e atitudes que transmitem dúvidas e incertezas sobre o “próximo capítulo” ou o simples “the end”. No fundo, todos temos medo sobre o que virá depois, já que a única certeza é a morte, porque daqui ninguém sai vivo.
Nos últimos tempos, tornei-me bastante cético em relação ao catolicismo, introduzido por minha mãe, uma pessoa extremamente religiosa, desde a minha infância.Ela sempre se preocupou em matricular a mim e meus irmãos em colégios católicos regidos por irmãos missionários ou padres. Desde cedo, líamos na escola a mesma cartilha cristã que os jesuítas impuseram aos índios quando aqui chegaram , na tentativa de “domesticá-los”- segundo teoria dos colonizadores portugueses.
A morte misteriosa daquele papa que manifestou o desejo de queimar o ouro das igrejas para alimentar os pobres, os escândalos abafados dos inúmeros casos de pedofilia no alto clero, as vultosas contas secretas do Vaticano, a falta de clareza sobre a legalização do aborto ou não, tudo isso contribuiu para me afastar da Igreja.
Até o dia em que o primeiro papa latino-americano da história, o papa Francisco, de número 266 da história, foi eleito para substituir o pouco carismático Bento XVI , que renunciou ao cargo.
Comecei a prestar mais atenção nos pensamentos e atitudes desse argentino de sorriso franco e,durante a pandemia da Covid-19, fiquei realmente emocionado ao vê-lo, sozinho, de joelhos, rezando no Vaticano pelos mortos e doentes dizimados pelo vírus,com a praça totalmente vazia.
E mesmo insistinto em indagar a alguns brasileiros, sempre que surgia uma oportunidade, “quem era melhor: Pelé ou Maradona?”, eu aprendi a admirá-lo. E, pouco a pouco, voltei a me aproximar da Igreja e a respeitar a fé cristã.
Obrigado, Papa Francisco, por trazer-me de volta ao seu “rebanho”. Descanse em paz.